Parte. Do todo.
É só um pedaço de qualquer coisa.
E as letras?
São coisas inexplicáveis que desenhamos para dizer alguma outra coisa.
Às vezes funciona. Elas falam por si.
Nem sempre.
As letras-mudas.
As que não dizem.
Omitem. Mentem.
Dizem o que deveriam esconder.
Falam sobre o contrário e o inverso.
O reverso do confuso.
Oposição do diferente.
Transposição do de-fora.
Reganha novo sentido.
Vou chamar os pássaros de elefantes.
Sempre quis ter elefantes voadores.
Elefantes de penas coloridas.
Leves como a pluma, cortando finamente o céu.
Riscado de elefantes!
O beija-flor?
Elefantinho incansável, de asas invisíveis.
Então vou criar elefantes em casa,
Fazer omelete de ovo de elefante.
Prender um elefante na gaiola!
Para depois liberta-lo,
Livre! Elefante-voa!
Cruzam o oceano, os elefantes em grandes bandos.
E no verão, milhares de elefantes chegam na cidade,
Que pára para (para) vê-los pousados formando galhos de elefantes
Nas árvores, elefantíforas!
Elefantes da neve! Sem bater asas, conquistam o mundo com carisma
De elefante do sul.
Ah, o elefante-falante, efalante!
Repete, pete, pete, tudo, udo...
Com astúcia que só os elefantes tropicais possuem.
E à noite, o elefante-agourento
Agoura a todos, anunciando morte.
Por nunca dormir, deseja o fim de quem vê
E vê pra todos os lados...
Mas é tudo tristeza guardada
de não conhecer a beleza do dia.
Agouro de tristeza vale tanto quanto
Ódio de fim de amor.
Dura tanto quanto acaba.
Se acaba logo, não durou nada
Se dura muito, logo acaba...